Uma pedagogia possível à filosonia consistiria em um conjunto de aulas expositivas e práticas com o intuito de cativar nos participantes as potências da escuta e fomentar a pesquisa sonora empírica e conceitual(Hermeto Pasqual, TomZé). Para tanto, são usados desde os recursos mais imediatos do corpo até os atravessamentos sinestésicos fenomênicos(Gilles Deleuze, Merleau Ponty) da multimídia ativados mediante as diversas ferramentas gratuitas que se encontram disponíveis na internet(DJ Spooky, Miller Puckett).

O uso de diversas plataformas tanto globais quanto locais(Hakim Bey, Luther Blissett) permite a aprendizagem coletiva dos meios de produção, edição e propagação sonora, simultaneamente à experimentação(Walter Smetak) das mais diversas vertentes de linguagens da composição sonora e musical.

Proporcionar o desenvolvimento teórico e sensível(Thelonious Monk, John Coltrane) através dos distintos modos de escuta amplia as possibilidades culturais para além das normas sociais da música(Theodor Adorno, Guy Débord, Walter Benjamin) mediada pelos veículos de comunicação(Marshall Mcluhan, Henry Pousseour). Desmistificando as formas não comerciais de musicalidades, incitando uma população cada vez mais produtora de objetos culturais à autonomia artística e crítica tanto quanto a uma redescoberta das formas outras de soar(Ornette Coleman, Merzbow, Ravi Shankar).

O uso das plataformas de pesquisa e distribuição virtual gera uma área trânsito(Yi-fu Tuan) entre pesquisa sonora e a indústria musicante, ampliando o foco auditivo no panorama psicoacústico cotidiano(Lívio Tragtemberg). E propondo o mercado cultural como um ponto chave(Berio) num estudo de harmonia musical(H.J.Keulheutter, Arnold Schönberg) abrem-se novas vias de acesso ao som.

Sempre incentivados a produzirem suas próprias obras, os participantes se tornam multiplicadores do conhecimento técnico, teórico e principalmente sensível para com os coletivos de criação das paisagens sonoras(R.Murray Schafer) e musicais de suas regiões, seja qual sua gama de encontros(Gaston Bachelard) auditivos(gosto).

Como é ouvir hoje? Precisaremos percorrer o caminho histórico do uso sonoro nas artes(Douglas Kahn), para compreender os meios de produção e propagação social dos objetos sonoros(Karlheinz Stockhausen, John Cage) incluindo a música, e os diversos vínculos sociais mediados(Abraham Moles, Jean Baudrillard) como a televisão, o rádio e a internet. Deste modo poderemos levar os pesquisadores sonoros a um posicionamento coerente do papel que a escuta tem na sua percepção do mundo e como o soar(ou não) desenvolve nele a necessidade contínua instantânea de escolher o que se escuta, uma dieta sonora(Erik Satie).

O planejamento sugerido compõe um período de práticas de ensino que totalizam 4 meses de atividades, teóricas e práticas experimentais.
A formação acústica básica dos participantes, assim como também a proficiência técnica do manejo das ferramentas utilizadas no decorrer deste percurso se dão da seguinte forma:
No primeiro mês há uma introdução à psicoacústica, com os procedimentos de afetação sensível do som desde a física sonora à lógica musical.
Esta será formada por quatro aulas: estímulos sonoros, estímulos musicais, respostas sonoras & respostas musicais.


No segundo mês será gerada uma cartografia dos jovens pesquisadores acústicos através de pesquisa musical e sonora nas suas vivências cotidianas do som. Este processo inclui os seguintes quatro workshops práticos de escuta urbana: passeio de escuta pelo bairro, gravações dos sons corporais, sons naturais e artificiais & recolhimento de músicas familiares.

No terceiro mês passamos aos programas de pesquisa sonora e musical online sempre embasados na cartografia pessoal de cada participante. Durante este período trataremos a questão em quatro momentos: pesquisa sonora(freesound, findsounds), pesquisa musical(all music, youtube), gravação e produção sonora(audacity, multiquence) & divulgação sonora(myspace).

No quarto mês propõe-se uma revisão do programa todo e a preparação de um site do núcleo e a apresentação final das obras e pesquisas dos participantes. Isto viabiliza uma aprendizagem tanto das ferramentas de divulgação quanto de produção técnica de uma apresentação, fora as coordenações dos processos de equipe e harmonia espacial.