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Estarei observando o dia sem música por tantos motivos que não caberiam num box set de 48 cds com sinfonias e óperas compostas somente para isto. “O pensamento, esse soberano
juiz do mundo, Não vos espanteis se ele
não raciocina bem agora; Se quereis que ele possa achar
a verdade, Que deus divertido! O ridicolissimo
heroé!” FILOSONIA O ruído eterno destes tempos implosivos me absurda. Mas não será esta a desculpa para o autismo amplificado dos ipods. Música, velocidade dos tempos. Alcançada principalmente
através do som (peso do espaço no caos aéreo) entrecruzado
pela luz, cor das ondas eletromagnéticas. Em silêncio,
som sublima da matéria energia e condensa dinâmicas em
estruturas geoônticas. Novalis cantou ao terminar de ouvir o velho: Quando dissemos algo abertamente,
em verdade, nunca dissemos nada. Já quando recorremos às
cifras e imagens velamos a verdade com o véu da beleza.”
... ... ... Síbila... O compositor da operatotalis do burgo(Wagner o cibernético)
se lembra de Fausto sobre o bêbado que gritava pedindo o fim do
discurso e a entrada da bandinha no coreto(Beethoven, a escuta surda): O rádio é uma substância eletromagnética implacável que avança irresistivelmente em todas as direções nas dimensões sonoras contra a qual toda resistência é inútil, logo artística. Seu uso pelas corporações humanas visa propagar pela informação a pandemia, submergindo-nos na quantidade sempre maior de produção cultural pela reprodutibilidade afetiva(cabendo lembrar que todo afeto após a psicanálise é senão uma técnica de pulsão desejante) transformando os limiares de cognições singulares, de modo que a música se tornou o desdobramento fractal do ruído, ruído entre ruídos. Melonoise. {mas também sei que nenhum canto vale mais do que a vida...} A rádio foi o pequeno riacho que moveu a compreensão musicante geométrica pré-industrial renascentista para a caosmose digital analógica por entre as margens das interfaces maquínicas (incluindo as abstratas) modernizantes que formam o contemporâneo limiar bauhaus-barroco (minimalismo-maximalismo, sempre intencionalistas). “A natureza diferencia e copia, a arte copia e diferencia” Pascal Outras cristalizações de transcópia, multifragmentação, até em última instância, a plena logaritmização do vão som-tom de onde captamos a música empírica, fizeram com que tal riacho espectral tornasse-se caudaloso e preenchesse de significados toda a gama coloral do mar do cinema(o átomo da composição digital é o quadro a quadro cinemagético), relegando a escuta ao narcisismo prostado diante deste como um lago de águas sujas paradas em estilos buscando por si mesma. "Eu não sei dizer nada por dizer, então eu escuto....." Dois pontos que Foucault levanta são particularmente interessantes para nós. O primeiro é que ele opõe as heterotopias(acusmoses) explicitamente às utopias(silêncio e tom) e implicitamente às distopias(ruído), “posicionamentos que mantêm com o espaço real da sociedade uma relação geral de analogia direta ou inversa”. Elas são “a própria sociedade aperfeiçoada” (ou piorada, no caso das distopias) ou “o inverso da sociedade”. Já com as heterotopias, percebe-se, que a relação com o suposto mundo real não é simétrica. Em vez de apenas amplificar ou reverter as representações que fazemos do mundo, a heterotopia desarticula seus elementos e os insere numa configuração totalmente nova. Fosse Foucault um alquimista diria que a heterotopia solve et coagula. Eu falei “suposto mundo real”, e não foi por acaso. Porque o segundo traço das heterotopias, que nos conduz direto e reto de volta à metaficção sonora, é seu “papel de criar um campo de durações ilusórias que denuncia como mais ilusório ainda qualquer espaço real no devir entre cronos e aeon, todos os posicionamentos no interior dos quais a vida humana é compartimentalizada”. Não se canta errado uma canção, se faz uma versão diversa do mesmo mito. “Não apenas como os sons se compõem. Mas, mais
difícil como percebemos este som em relação aos
seus elementos contituintes?” Não apenas como as estruturas musicais se compõem. Mas, mais difícil ainda como percebemos esta música em relação ao seu contexto(seus silêncios)? O maestro escuta com os dedos, prova disto são suas tentativas de agarrar o som com as mãos, ou ainda mais difícil, a música com a pele. música: uma pulga metafísica atrás do som da orelha. Da mesma forma que um som não existe sem todo o ruído que lhe é estranho, um músico sem toda a política da cidade(arquitetura musicante) dos sons não se manteria. ¡Cómo? ¿El oyente tiene pretensiones? ¿Las palabras deben ser entendidas? O pós alfabético acena com o retorno do pulso nodal como ponto de apoio da linguagem no corpo, mímese morfopoética baseada não no talento mas no esforço e no trabalho: “I know that I’m working very hard, as you are working very hard to know what I’m working on.” Xenakis sobre a performance musical de Bergson. “Avalia o instrumento com seu corpo, incorpora a si as dimensões e direções, instala-se no órgão como nós nos instalamos em uma casa. O que ele aprende para cada tecla e para cada pedal não são posições no espaço objetivo e não é à sua memória que ele os confia. Entre a essência musical da peça, tal como ela está indicada na partitura, e a música que efetivamente ressoa em torno do órgão estabelece uma relação tão direta que o corpo do organista e o instrumento são apenas o lugar de passagem dessa relação.” Merleau Ponty incorporando Bach. O silêncio é redondo mesmo, Bachelard. O som e os sonhos
nos levariam aos delírios de audiomancia onde a pedra entra nos
alhures do grão... Microtons ao fogo... ¡Cómo? ¿El oyente tiene pretensiones? ¿Las palabras deben ser entendidas? -Federico Nietzsche
Sobre a harmonia contextual:
Gainza, que trata exatamente da descrição do processo
de aprendizagem musical: "Pratica a Música Sócrates! A flauta vertebrada é o canto do cisne morto no ballet..." Representations create understanding and desire. “-Críton, não esqueçai de levar um galo a Esculápio!” A prova(ensaio) de Nino Taro lembra que a sinfonia é a sintonia
com a qual sonhava Ford na sua ditadura temporal, a sincronia dos planos
na linha de montagem. Trapdoor paradox is the most simple type of computer virus as mirações vêm do som da floresta ecoando pra encontrar os corpos trespassados pelas raízes, a cidade tem som de ruminar de engrenagens em combustão, que nos chega? “A guerra deve ser em função da paz Se Sócrates percebia que o texto escrito nos faria perder a memória, Platão já concebia a caverna-cinema nos despojando da imagem-pensamento em nome de fluxo ainda mais rápido. A gravação sonora nos ensurdecerá da música deixando as escuta nos limites de ruído e silêncio. No futuro toda canção pop terá seus quinze segundos de ruído e seu 1.5 decibéis de composição subliminar. “Descansar? Descansar de quê? Quando quero descansar eu viajo e toco pianos.” O urbanismo dos dados quer gestar uma arquitetura para os afetos através de um sistema iterativo de paisagens de dados... A iteração é também o sistema de busca nos bancos de dados. Se você gosta de Coleman, provavelmente te contarei sobre Roach, mas menos de Pärt? "Cada palavra falada nos trai. A única comunicação tolerável é a palavra escrita, porque não é uma pedra em uma ponte entre almas, mas um raio de uma luz entre astros." - Fernando Pessoa Tacitlo Oswald lentamente mastigava olhando os vinis. Mariô os
dera, quatro baladas de chopin e o trio em lá menor de tchaikowsky,
dizendo: A cultura deixou de ser a referência da alteridade para tornar-se
espelho do que nos é mais íntimo e familiar, só
que tal familiaridade nos vem de fora da subjetividade. No Palácio
da Música, caminhando nos porões com Pitágoras,
Cartola ri. Laranja eletrônica, hackers acionistas de Amadeus transmutam a melodia(operacracking) em tempos de rúido ao escárnio kitsch da obsolescência programada destas em mero ruído social. Logo mais as bandas de rock serão tidas ou como ONGs de serviço público de catárse ou como jogos de videogueime. Sobre a Apassionatta disse Lênin: “Se eu a continuar ouvindo não levarei a cabo a revolução” Precisamos construir salas de ruídos, como em outros tempos houve a necessidade de construirem câmaras anecóicas que enfeitassem de bossa a oca fadada ao "nova noise" e salas de concerto onde se alimentava o olvidar das forças da natureza. O espetáculo alimenta-se das intensidades(ouça gore doom e speed metal) a violência não lhe é hostil nem estranha. Ao contrário a violência("sete mil poetas sádicos nas sarjetas") é o combustível e a cocaína que abastecem o showbusiness, por isto os EspectaDores estão cada vez mais adaptados a ela. This {uma química das cores não bastaria para os oceanos superhélios} is our Cage. Só as mercadorias, em sua juventude renovada protegem o consumidor
da velhice, da caduquice, da insignificância , do esquecimento
outorgado a nós pelas dimensões. Com uma desvinculação do valor de mercado da música
temos uma mais valia do processo sobre o objeto artístico. “Quem quiser se prestar a compreender o mundo deve saber ao menos uma linguagem de programação” Z Hegedus De modo a explicar a necessidade de superação da precisão industrial por um ócio criativo, De Masi diz: “A eternidade surge na cidade de Belém, o berço famoso das primeiras covas e liras, como consolação à morte assim como a arte só deixou marcas de seu nascimento fisicamente num ornato a uma flecha(que mira a beleza?)..." Quando em maior perigo, Ulisses se amarrou às sereias pra não ouvir o mastro... à luz sê nó, gêneo. As ondas sociais que Toffler ressalta são a senoidal espiral de Quetzacoatl como a frequência do Leviatã, o pulso nodal. Tal música transfigurada em ruído das séries aurais demanda o anonimato em nome da subjetividade coletiva(micropoder da ruidocracia), sem que se distingam o começo de uma ou o fim da outra nesta trilha sonora, pois é no campo filosônico entre música e som que jaz o inefável para ambas e para nós: o silêncio que desistimos de ouvir. “Faltam pessoas que realizem o silêncio,
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